A urgência do autoconhecimento numa era volátil por Aline Daher


Uma verdade que você precisa aceitar é que você não tem e não terá controle sobre como será o futuro próximo e distante, ou sobre tudo o que você tem ou terá que aprender para sobreviver numa era volátil. Mas o que enxergo como o aprendizado mais importante é aquele que já está aí em você e o qual basta ter as ferramentas certas e dedicar tempo para acessá-lo.

Desde muito cedo, aprendi com minha mãe que meus pensamentos tinham influência sobre como me sentia e sobre a saúde e o bem-estar do meu corpo. Me considero privilegiada por isso. E, hoje, minha maior satisfação é ensinar outras pessoas a compreender este mecanismo comum a todo ser humano e quais as ferramentas (como a respiração consciente, técnicas de descontração e reprogramação mental e meditação) para que tenham o mesmo poder sobre sua vida.

Apesar destas práticas estarem crescendo muito ultimamente, ainda estamos longe do momento em que serão triviais e fundamentais na rotina, e mais do que isso, terão horários incorporados à nossa vida assim como os horários de refeições. 

Com todos os acontecimentos advindos com a pandemia, muitos paradigmas estão implodindo e dando espaço a uma nova forma de viver.

Mas qual a importância do autoconhecimento para mudarmos conscientemente de PARADIGMA?

PARADIGMAS: FEITOS PARA MUDAR

Os paradigmas são formatados de acordo com nossa hereditariedade, experiências pessoais, contexto e cultura em que nos inserimos, e sob influência dos arquétipos que temos como referência. Normalmente, são construídos involuntariamente e se tornam parte do nosso modus operandi como indivíduos e, por consequência, como sociedade. 

Podemos dizer que um paradigma são as lentes através das quais vemos a vida e a realidade. Normalmente, não os questionamos ou mesmo tomamos consciência deles. Sendo assim, a maioria de nós constrói este sistema de crenças e valores de maneira inconsciente e, normalmente, nós os tornamos verdades absolutas. 

Quando isso acontece, eles podem se tornar ameaças à possibilidade de mudança e, consequentemente, de evolução e aprimoramento. Podemos defini-los como as zonas de conforto – físico, emocional e mental, onde a lógica que criamos internamente torna-se intocável, o corpo, inerte ou as emoções, pálidas. Entramos num mecanicismo, realizando tarefas, sem enxergar o grande cenário em que elas se inserem e ignorando as consequências de ficar inerte. É o famoso piloto automático.

Porém, “a natureza nos mostra claramente que ou você está vivo e crescendo, ou está morrendo, morto, ou declinando.”*** Diante disto, percebemos que se não buscamos nos autossuperar, crescer, evoluir, sempre, vamos definhar, ainda que aos poucos. Existe uma pressão clara para a mudança e, paradoxalmente, uma resistência a ela. Cada vez mais se reduzem os períodos de inércia e se aproximam os momentos de transição. As mudanças vêm na velocidade da luz, exigindo que as acompanhemos. E isso gera uma ansiedade extrema numa era em que ser volátil é regra.

Por isso, precisamos estar sim atualizados, mas saber priorizar o que realmente importa, mantendo o que poderíamos chamar de o fio da meada, sem perder o que gera estabilidade, o propósito maior da nossa existência. E esta prioridade só pode ser estabelecida quando nos conhecemos bem e sabemos onde queremos chegar, independentemente de herança genética, cultura, mudanças climáticas etc. 

Precisamos saber do que somos constituídos e do que influencia nossas escolhas, nossas decisões, para assumir a responsabilidade de mudar. 

*** Citação do livro O monge e o executivo, James C. Hunter, 2004, p.47.

O PARADIGMA NEWTONIANO 

Existem alguns paradigmas que influenciam toda a humanidade, independentemente de cultura, país, condições naturais etc. São pensamentos que esclarecem, momentaneamente, as principais questões da humanidade: de onde viemos, o que fazemos aqui, para onde vamos, entre outras. 

Ao longo desses milhares de anos de história do homem na Terra, os paradigmas foram se subdividindo. O que antes era uma coisa só, tornou-se religião, ciência, filosofia, mitologia, além das subdivisões. Atualmente, podemos dizer que mesmo os mais religiosos são influenciados pelos paradigmas da ciência e vice-versa. 

E o paradigma que reinava até pouco tempo, e ainda alicerça muitas decisões, é o Newtoniano, ou seja, a visão de que o universo é um sistema mecânico composto por blocos sólidos, materiais, elementares. Assim, o que é real é apenas o que pode ser medido e percebido por nossos cinco sentidos.21 

Diante desta perspectiva, o conhecimento só pode ser adquirido de forma racional e objetiva, banindo-se todo o sentimento e subjetividade. E, dentro desta lógica, o mundo é uma máquina, incluindo o homem em si. É assim que vamos construindo a ilusão de que nos relacionamos com uma única realidade sólida, quando na verdade cada um de nós lida com a realidade construída por seus próprios paradigmas, suas experiências e referências individuais. 

21 What a bleep do we know, 2005, p.28. 

A MUDANÇA DE PARADIGMA 

Diante de tantas experiências e provas de que não podemos controlar as pessoas, os animais, a natureza, como se fossem máquinas; e não podemos prever exatamente como esses elementos vão se comportar (como se imaginava), um novo paradigma se estabeleceu. Em contrapartida à Física Mecânica, surgiu a Física Quântica, a Relatividade Geral e, mais recentemente, outras teorias, como a Teoria das Cordas, que buscam esclarecer a existência e funcionamento do universo, sob uma nova perspectiva, considerando, por exemplo, a influência da subjetividade sobre os objetos e a natureza. 

Se estamos sendo influenciados, o tempo todo, por esses paradigmas, é necessário que saibamos quais são eles e como interferem em nosso poder de decisão e na definição de nossos valores, crenças, pensamentos, naquilo que é importante para nós, para compreender aquilo que nos move. 

A RESISTÊNCIA À MUDANÇA 

De acordo com a lei da inércia, a tendência dos corpos, quando nenhuma força é exercida sobre eles, é permanecer em seu estado natural, ou seja, repouso ou movimento retilíneo e uniforme. E como somos parte integrante da Natureza, esta lei também atua sobre “nossos corpos”. 

Isso significa dizer que nossa tendência é ficarmos inertes, com os mesmos condicionamentos, o mesmo comportamento, a mesma maneira de reagir às circunstâncias, num ciclo perpétuo. Ou seja: fazer sempre o mesmo caminho para o trabalho, para casa, para todos os lugares, mesmo que não estejam satisfatórios, que haja trânsito sempre; comer o mesmo tipo de alimento, mesmo que o organismo dê sinais de que não é a melhor opção etc. 

O homem criou a civilização para proporcionar o maior conforto possível, a ponto das pessoas não precisarem mais fazer longas jornadas por comida, moradia, para se vestir, para sobreviver. No entanto, mesmo em civilização, criamos desconforto suficiente (trânsito, falta de manutenção, falta de emprego, fome, enchentes etc.) que, ao mesmo tempo, geram movimento e, depois de um tempo, voltam a enquadrar-se na mesma inércia. 

O princípio da mudança na Física está atrelado a uma força externa ao “corpo” que interfere gerando movimento e, segundo esta perspectiva, se esta força cessa, o movimento para. Geralmente, a maioria de nós quer voltar ao que chamamos zona de conforto, sempre que possível. E, dentre toda a humanidade, são poucos aqueles que rompem este padrão e se mantém, de forma consciente, mantendo um movimento contínuo de autossuperação. 

A opção seria sair pela tangente do ciclo perpetuado até então e criar um novo ciclo, a partir de uma ação inesperada, proveniente da necessidade de adaptação das espécies. E isto é evolução. É transformar o estado de consciência, passando a enxergar o que antes não tinha forma e começando a entender a funcionalidade e importância daquilo que agora enxerga. Como o caso de um galho que pode se transformar em ferramenta para pegar comida no alto de uma árvore. 

Charles Darwin escreveu: 

Sendo assim, adaptar-se é uma questão de sobrevivência e, portanto, já configura-se como uma motivação para a evolução do indivíduo. Mas o que ocorre é que a ansiedade e imediatismo que corroem o mundo de hoje levam as pessoas a quererem que tudo mude como num passe de mágica e não pelo trabalho. E, “trabalho”, aqui, no sentido do conceito da Física, que 

Considerando este conceito, podemos ter três tipos de trabalho: o nulo – que significa que há duas forças de mesma intensidade em sentidos opostos e que, portanto, impedem o deslocamento de um corpo qualquer; o positivo – que significa que há uma força atuando no sentido do deslocamento do corpo e, o negativo – que significa que há uma força maior opondo resistência ao sentido do deslocamento. 

Disso podemos concluir que o trabalho nulo mantém a inércia dos corpos, o trabalho positivo, agrega energia aos corpos, e o trabalho negativo, faz os corpos perderem energia. O mesmo pode ser aplicado a nós, humanos. Se formos capazes de perceber as forças que atuam sobre nosso físico, emocional e mental, poderemos assumir o poder de escolha sobre os hábitos, pessoas e lugares que queremos cultivar. 

Comente aqui se quiser saber mais sobre as ferramentas que provém este autoconhecimento e a criatividade necessária para você se adaptar às mudanças atuais e às tantas que ainda virão.

Instagram: @aline_daher e @derosecambui

Imagem: Filme Adaptação, com Nicolas Cage

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Aline Daher está, há 10 anos na área de desenvolvimento humano. É professora do DeROSE Method e Facilitadora do Programa Mindfulness Design. Graduada em jornalismo, dedica-se à produção e edição de conteúdo há mais de 17 anos.

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