Como construir uma cultura da adaptabilidade? por Aline Daher


Quando trabalhava com comunicação interna corporativa, tive a oportunidade de conhecer uma diversidade de culturas organizacionais. Algumas mais calorosas, acolhedoras, nas quais os colaboradores pareciam ser parte de uma grande família, e os líderes davam importante exemplo. Outras mais frias, com ambientes mais hostis, e pessoas menos alegres. Outras ainda com uma estrutura física projetada para promover o bem-estar, mas certa dificuldade na comunicação entre departamentos.

Enfim, desde então, passei a buscar conhecimento nesta área, das mais diversas formas: lendo livros, assistindo vídeos, palestras, participando de eventos sobre o tema. E, hoje, depois de 15 anos daquela experiência e de 10 anos ensinando ferramentas para reprogramação mental e comportamental, compreendo como é fundamental que qualquer mudança comece em cada indivíduo e seja construída por ele e, de forma compartilhada, no grupo ou equipe da qual faz parte.

Uma cultura é resultado das crenças, valores, e especialmente dos hábitos e dos comportamentos que determinado grupo cultiva e reforça, diariamente.

Mudar uma cultura significa mudar a mentalidade e o comportamento das pessoas que a constitui e, ao mesmo tempo, selecionar novos colaboradores com base neste novo sistema de crenças e valores. Não basta a liderança ou alta administração impor um novo modus operandi, novas políticas, novas regras, e tentar controlar a maneira como as pessoas pensam, agem e decidem.

Uma parte da mudança virá pelo diagnóstico do que precisa mudar, de quais são os obstáculos a uma cultura de adaptabilidade, aprendizado e inovação. Outra parte, será criar uma nova visão compartilhada entre todos, que defina os novos princípios e comportamentos a serem treinados e reforçados.

A resistência à mudança é natural e aceitável no processo, mas é preciso que, a partir do momento que a visão foi construída, com a participação de todos, que isso gere comprometimento, engajamento e motivação. Caso isso não aconteça com alguns será um indício e uma oportunidade para o próprio colaborador identificar que talvez ele precise buscar um ambiente de trabalho com o qual ele tenha mais afinidade. No entanto, esta deve ser a última opção.

Antes disso, é preciso criar o ambiente para a conversa aberta, para que todos se sintam acolhidos a compartilhar sua forma de pensar, suas ideias. Um local onde a diversidade de pensamentos e de estilos de vida enriqueça o potencial criativo. 

Com as forças de cada colaborador e com espaço para que ele brilhe naquilo que é bom, é possível criar mecanismos que deem a cada um a chance de se conhecer melhor, de entender seus próprios valores e de como eles se alinham com os valores da equipe e da empresa. De explorar seu potencial através do autoconhecimento, da autopercepção.

É preciso dar oportunidade para que cada um aumente seu nível de energia e vitalidade, seja realizando práticas voltadas ao bem-estar do corpo e da mente, seja criando espaço para pausas estratégicas, que fomentem o descanso como parte fundamental do alto desempenho e criatividade.

É necessário que o líder se conheça bem o suficiente para ser tolerante, para ser um exemplo de rápida adaptação, e tenha inteligência emocional para compreender como ajudar seus liderados a encontrar os fatores motivadores de crescimento, adaptação e aprendizado.

É preciso haver uma escuta ativa, e disponível constantemente, para entender quais são os obstáculos que cada um está enfrentando ao desenvolvimento de seu máximo potencial. E um canal de comunicação para que o líder saiba como melhor orientar e o liderado esteja receptivo para acatar as sugestões.

Há alguns anos, existe uma tendência a estimular o empreendedorismo e a liderança mesmo nos colaboradores mais distantes da administração. E isso nada mais é do que um movimento que faz com que cada vez mais pessoas assumam papel ativo nas decisões de uma organização.

Esta tendência veio para ficar, é fruto da descentralização que ocorre cada vez em mais áreas da sociedade, que nos trouxe as startups, os novos modelos de bancos, ou instituições financeiras, que fez surgir as criptomoedas e outras propostas de pagamento digital, que fez as grandes empresas investirem em ecossistemas de startups para acelerar o processo de inovação…

Enfim, que fez as pessoas caminharem rumo à busca pelo propósito e desistir de carreiras estáveis para empreender nas mais diversas áreas, criando novas profissões e estilos de vida.

E, no entanto, apesar de toda a tecnologia que nos permitiu criar tudo o que citei acima, continuamos com um corpo que precisa ser alimentado, precisa dormir, precisa de conexões, amor, afeto, para ser saudável emocionalmente, precisa de atividades físicas, precisa de cuidado, de descanso etc. E temos um cérebro que funciona de 96 a 98% de maneira automática, apenas repetindo as mesmas conexões, para garantir nossa sobrevivência.

Paralelamente ao automatismo, temos uma diferencial como espécie, ainda passível de desenvolvimento: nossa adaptabilidade. E uma cultura que cultive e valorize esta habilidade é aquela que provê e reforça em seus membros a flexibilidade cognitiva, um nível alto de energia para a mudança, vontade e motivação para agir com propósito, e disposição a aprender continuamente, sendo tolerante aos erros.

O nosso potencial de adaptação é enorme, mas nem sempre nos adaptamos de forma consciente e voluntária, com a intenção de melhorar nosso bem-estar e nossos resultados. Às vezes, fazemos isso apenas porque fomos obrigados. Mas, de uma forma ou de outra o esforço é imenso. Sair do piloto automático exige muita energia. Afinal, nosso cérebro reconhece como desperdício e risco à sobrevivência qualquer atividade nova que não tenha utilidade clara.

Desde o início da pandemia, muitos estão mudando ou se adaptando por obrigação e isso certamente terá um custo a médio e longo prazo. Se quisermos construir uma cultura de adaptação e aprendizado, com o mínimo de prejuízos pessoais e organizacionais, será preciso que todos os envolvidos no processo estejam saudáveis, com energia suficiente, lúcidos e focados, e que compreendam a importância e o propósito de mudar.

Quer desenvolver sua capacidade de adaptação? Quer trocar um padrão de resposta reativo por um criativo? Quer treinar sua equipe para as habilidades fundamentais do profissional do futuro? Comente aqui ou mande e-mail para [email protected]

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Aline Daher está, há 10 anos na área de desenvolvimento humano. É professora do DeROSE Method e Facilitadora do Programa Mindfulness Design. Graduada em jornalismo, dedica-se à produção e edição de conteúdo há mais de 17 anos.

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