Viver de propósito por Aline Daher


"Você precisa ser a mudança que deseja ver"

Desde muito cedo, eu coloquei esta frase de Mahatma Gandhi na parede do meu quarto e ela me acompanhou em quase todos os lugares que morei. Depois dos 35 (que eu me lembre), ela deixou de estar na parede, mas o conceito já estava no meu inconsciente, guiando minha atitude diante de mim mesma e do mundo à minha volta. O que ela quer dizer para mim? Que cada um de nós é responsável pela vida que vive e que, para mudar o que está à nossa volta, primeiro precisamos mudar a nós mesmos.

Quando eu era criança, eu vivia ouvindo a questão: "você fez de propósito?". E, para mim, esta expressão sempre significou: "você fez com má intenção?". Ou seja, agir com um propósito significava ter uma intenção ruim como motivação. Não sei se só eu interpretava assim, mas é como a maioria das pessoas usava, e ainda usa. Entretanto, fazer "de propósito" também pode ser "fazer com boa intenção", e é neste sentido que eu gostaria que compreendesse o que vou dizer a seguir.

Eu sempre tive uma personalidade analítica e introspectiva, a ponto de me lembrar do meu constrangimento em ver o meu irmão, 3 anos mais velho, chorando ao sair do shopping sem o brinquedo que queria. E eu devia ter entre 3 e 4 anos, pelos relatos da minha mãe. Eu fui criada numa família em que alguns dos meus avós, meus pais e meu tio faziam (ou ainda fazem parte) de uma instituição dedicada a promover o autoconhecimento. 

Eu não segui a filosofia deles. Depois de 25 anos de idade, busquei o estilo de vida e as ferramentas, princípios com os quais mais me identificava. Uma filosofia de vida que reforçou o fato de que, para mudar o mundo, torná-lo mais justo, altruísta, generoso, compassivo, sustentável (como eu sonhava naquela época), eu deveria ser o exemplo. Ainda assim aquele caldo cultural me influenciou a não viver a vida à toa, a não fazer as coisas sem compreender seu sentido. E assim aprendi a olhar pra mim e para minhas decisões de forma responsável, desde muito cedo, ainda que eu tenha demorado a compreender que isso não era algo comum para os outros jovens da minha idade.

Mas vamos voltar ao propósito. Eu entendo que viver de propósito, ou com propósito, significado, é não se alienar diante da sua própria existência. É estar presente em cada decisão importante que você toma. É questionar quando alguma escolha não te trouxe aquilo que você queria alcançar. Não produziu os resultados ou o sentimento que você gostaria de ter em relação à sua própria vida. 

E isso não significa que vamos evitar todos os acontecimentos desagradáveis, mas sim que vamos escolher como reagir a eles. Podemos fazer um grande drama sobre algo que parece ruim, ou simplesmente aceitar a dor, a tristeza, o sofrimento causados, vivenciá-los até entender o motivo pelo qual estamos magoados, chateados, ofendidos, arrasados etc. ou, em alguns casos, apenas mudar de mentalidade.

Agir com propósito, com responsabilidade sobre os resultados e consequências das nossas ações, não é negar a existência do que nos faça mal. Ao contrário, é uma maneira de nos treinarmos a termos coragem, e enfrentar esses desafios e desilusões, a fim de que não nos convençamos de que somos o sofrimento sentido. E inclusive que, muitas vezes, o sofrimento é mais resultado da decepção daqueles que nos transmitiram as crenças e os valores que nos foram impostos - como família, amigos, professores - do que um sentimento autêntico nosso.

Na busca por mais humanidade

A humanidade está com sede de compreender por que estamos passando por este período desafiador e como devemos passar por ele. Cada um com sua crença, fé, filosofia ou mecanismos para enfrentá-lo. Mas não podemos negar que a pandemia está evidenciando a humanidade perdida, está fazendo a maioria de nós questionar nossas escolhas, diariamente. É como se, de repente, muitos de nós fôssemos forçados a estar conscientes de nossas decisões, como um movimento pela sobrevivência de nós mesmos, de quem amamos, do nosso emprego ou negócio, do mundo como ele já não é mais. Talvez um altruísmo que brota do egoísmo, mas ainda assim dedicado a gerar o bem para a coletividade.

Ao mesmo tempo, cada passo é tão incerto e está imerso em tal complexidade de fatos, dados e probabilidades de resultados e consequências, que muitos de nós nos vemos, em algum momento, perdidos. Diante da ameaça de poder contrair a doença e não ter perspectiva clara de como será nossa recuperação, questionamos se queremos continuar fazendo as mesmas coisas, do mesmo jeito: estudos, profissão, hábitos alimentares, relacionamentos etc. Alguns escolhem "viver o que há para viver", como diz a música Tempos Modernos, eternizada na voz de Lulu Santos. Outros decidem se preservar ao máximo, muitos sem nem mesmo sair de casa para caminhar e tomar sol (saiam de casa para tomar sol!). E outros, talvez como eu, reavivam a crença de que nosso único propósito é o que o Prof. Samuel Norman (Morgan Freeman), descreve no filme Lucy: "passar adiante o que se aprendeu".

Mas, enfim, que atitude você deve cultivar, e que decisões têm mais sentido pra você?

Não existe fórmula mágica, ou receita de bolo pra viver o momento presente. Mas existem maneiras de descobrir como ser a mudança que nós queremos ver no mundo à nossa volta.

Então, eu pergunto, qual intenção há por trás de cada decisão sua?

E o quão lúcido você está para fazer essas escolhas?

Yuval Noah Harari, em 21 lições para o século 21, afirma o quão pouco investimos em conhecer a mente humana, em comparação ao que investimos em velocidade de internet e inteligência artificial. Nesta condição atual, em que tanta gente opera só online, precisamos mais do que nunca dedicar tempo a conhecer melhor a nós mesmos. Precisamos compreender como funcionam nossos mecanismos de tomada de decisão. Assim, de maneira voluntária, poderemos mudar o que for necessário no intuito de ter uma vida intencional, ou seja, 'viver de propósito' e estarmos presentes, experimentar a plenitude, quiçá no meio de um call profissional. Quem sabe desta maneira, não seremos apenas como chips que compartilham dados com o que Harari chama de Big Data, até darmos a ele cada vez mais autoridade sobre aquilo que acontece em nossa vida. 

Se suas decisões são tomadas de maneira automática, elas serão facilmente codificadas em algoritmos e programadas pelos sistemas, como já acontece com as sugestões de filmes no Netflix, de produtos e serviços nas lojas virtuais e redes sociais. Apesar do desafio ou do drama de tomar decisões conscientes, nós fomos dotados com um córtex pré-frontal - que outros animais não têm - que representa um percentual pequeno, mas exclusivo, de poder sobre boa parte de nosso piloto automático. Isso é o que poderíamos dizer que nos torna mais humanos, não porque somos menos animais, mas porque somos mais do que máquinas pré-programadas, somos, ao mesmo tempo, o equipamento e os programadores.

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Comece a dedicar-se a conhecer melhor este mecanismo que você tem dos pés à cabeça. Aprenda a usar melhor seu sistema cardiorrespiratório, aprenda a programar sua mente para o que você quer conquistar ou mudar, aprenda a silenciar os pensamentos e a se sentir como você mais valoriza diante da sua própria vida.

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