Neurociência da Meditação por Renata Coura


Tempos modernos

Seu alarme toca cedo pela manhã, mas apesar do seu esforço, você não consegue abrir os olhos. Você cai no sono de novo e, depois de um segundo na sua mente, mas uma hora na realidade, você acorda em pânico porque está atrasado. Não há tempo para banho ou café da manhã. Você veste suas roupas sem pensar e escova os dentes pensando sobre tudo o que você tem que fazer no dia. Você sai e vai quase correndo para o trabalho. Seu nível de estresse aumenta à medida que o trânsito piora. Você não consegue parar de pensar no tempo passando e em tudo o que está na lista de tarefas. Tudo o que você vê ou ouve lembra-lhe de algo que você precisa fazer e de que você está atrasado! 


Finalmente, você chega ao trabalho e está exausto. Começa a trabalhar num relatório importante, mas percebe que, paradoxalmente, você tem inúmeros pensamentos, mas não consegue concatenar as ideias. Você insiste porque é importante e precisa finalizar antes do almoço. De repente, você se surpreende lembrando da pessoa que ama, e se esforça para trazer a mente de volta ao trabalho. No entanto, você percebe que está com fome, e pensa em voz alta: "ok, vamos terminar isso logo e sair pra comer!". 


Você envia o relatório e sai pra almoçar. Sente-se aliviado e feliz por um momento, até perceber que não revisou o documento antes de enviar, e se questiona se não houve erros. Você se sente estressado de novo e não pode parar de pensar nisso. Passa todo o tempo do almoço tentando revisar, mentalmente, o que escreveu.

 

Voltando do almoço, tudo o que você sente é que precisa de um cochilo. Mas você tem uma grande lista de tarefas para realizar durante a tarde. Então, você bebe um pouco de café e se põe a trabalhar. Você gasta o restante do dia respondendo e-mails, telefonemas, mensagens. Passa a tarde tentando ficar focado, mas sempre percebe que está disperso por alguém de quem se lembra, ou por antecipar tudo o que precisa fazer na sequência. 

 

No final do dia, você está tão exausto que volta pra casa e desiste da atividade física que ia fazer e do jantar com os amigos. Você toma uma ducha, pega algo para comer e vai pra cama. Você está tão cansado, mas demora para dormir porque ainda tem aqueles pensamentos, imagens e ideias que surgem na sua mente sem que você perceba. 

E então, seu alarme toca de novo.


Esta história é, total ou parcialmente, familiar pra você? Bom, você não está sozinho.

 

Nosso cérebro tem uma atividade intensa, de tal forma que a mente tende a se dispersar. O cérebro está constantemente ocupado buscando idéias, trazendo memórias, fazendo comparações e associações etc. Tudo isso de forma inconsciente e automática. O cérebro escolhe "sozinho" a informação que será considerada importante e, assim, mantida na memória, e aquelas que serão rejeitadas ou esquecidas. Tal atividade mental desfocada significa que, na maioria das vezes, nós estamos sobrecarregados por uma infinidade de informações externas, e desconectados de nós mesmos. Nós nos tornamos pensadores passivos, inaptos a guiar nosso pensamento.

 

Na verdade, nosso cérebro é um instrumento mágico, apto a realizar, de maneira automática, mais de 95% de tudo o que fazemos, estejamos acordados ou dormindo. Quase toda a nossa vida mental é um mix de processos conscientes e inconscientes que se reforçam uns aos outros, especialmente quando a motivação está em jogo. Nosso cérebro consciente (mente) usa um volume enorme de energia e é mais lento do que o cérebro inconsciente ou automático. Por esta razão, nosso cérebro trabalha a maior parte do tempo hesitando, tanto quanto for possível, usar sua parte consciente, para que possa economizar energia e agir mais rapidamente. Portanto, mesmo que pensemos que somos super racionais, nosso comportamento e nossas decisões são, normalmente, guiadas por automatismos.

 

Podemos agir sobre esta parte inconsciente do cérebro? Há algum interesse em conscientemente parar este turbilhão de pensamentos que nos guiam, ainda que não tenhamos escolhido? A resposta é "sim", através do treinamento de concentração e meditação ou, em outras palavras, a manutenção da atenção e do "não pensar" (saturando o pensamento em um único objeto ou coisa).

 

Atualmente, há muitos estudos sobre comportamento que mostram, em eletroencefalogramas e neuroimagem, a importância de se pesquisar sobre os estados da meditação. Esses trabalhos mostram que práticas contemplativas têm um impacto positivo sobre a saúde física e emocional e sobre a performance cognitiva.

 

No nível físico, essas práticas levam a uma redução do ritmo cardíaco e da pressão sanguínea, assim como ao equilíbrio do perfil lipídico. Isso tem um efeito benéfico sobre a proteção do sistema cárdio-pulmonar e fortalece o sistema imunológico, com efeitos anti-inflamatórios.

 

No nível mental, as práticas contemplativas atenuam as condições de dor, em particular dores crônicas. O nível de estresse e ansiedade é reduzido com a meditação, através da regulação das emoções. 

 

Finalmente, no nível da habilidade cognitiva, o treinamento de meditação leva ao fortalecimento dos processos cognitivos e à melhora da atenção seletiva e do foco, bem como da memória. Além disso, aumenta a percepção e a criatividade, assim como a propriocepção e interocepção, e também a autogestão.

2019-10-16 | Renata Coura, PhD em Neurociência



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